Associação de Médicos Católicos de São Paulo (AMCSP) – Vacinação SARS-CoV-2

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Associação de Médicos Católicos de São Paulo (AMCSP)

São Paulo, 25 de dezembro de 2020.

Irmãos e irmãs,

Em virtude das repercussões polêmicas acerca das vacinas para o SARS-CoV-2 que por hora fomentam discussões tanto do ponto de vista técnico quanto ético, nos vemos obrigados a nos manifestar enquan- to entidade médica recém criada, mais ainda em função do Pe. João Mildner, nosso Assessor Eclesiásti- co nos pedir um parecer para a Arquidiocese de São Paulo sobre o tema diante das muitas duvidas que apareceram com o documento emitido recentemente pela Congregação para a Doutrina da Fé1 que re- velou algo que poucos católicos sabiam: as maioria das vacinas hoje usam para o seu desenvolvimento células tronco originarias de fetos abortados.

Faz se portanto esclarecer os seguintes questionamentos para toda a comunidade católica:

  1. As vacinas ofertadas hoje são eticamente aceitáveis?
  2. Podemos tomar estas vacinas enquanto católicos?
  3. Estas vacinas são confiáveis?
  4. Existe manipulação genética com essas novas vacinas?
  5. É licito o Estado obrigar a vacinação?

Para bem responder estas perguntas é necessário que entendamos antes de tudo que as vacinas fazem parte de historia humana desde a Idade Média, mas tomou maior destaque após as pesquisas de Edward Jenner no final do século XVIII. A historia da vacina se confunde de certo com a historia da varíola, pois por volta do ano 1000 d.C. começou a ser usado na Índia um método de proteção contra a doença que constituía na inoculação de material obtido pela remoção das cascas das pústulas, a seguir moídas e aplicadas por esfregaço na pele ou por inoculação nas narinas. Da Índia, o método se espalhou para a China, Cáucaso, Turquia e África2. Edward Jenner foi quem desenvolveu o primeiro método seguro de vacinação. Após 20 anos de estudos, realizando experiências com a varíola bovina, Jenner demonstrou em 1796 que a proteção poderia ser obtida com a inoculação de material extraído de lesão pustular hu- mana de varíola bovina (cowpox, que hoje sabemos ser causada por um ortopoxvirus bastante próximo do vírus da varíola). Deu ao material o nome de vaccine, derivado do termo latino vacca, e ao processo de vaccination. Após vacinação bem sucedida de menino de oito anos, com demonstração de proteção ao material da pústula de varíola inoculado a seguir, Jenner tentou apresentar seus resultados em conferên- cia para a Royal Society, o que lhe foi negado. Publicou, então, seu trabalho a suas próprias expensas, com sucesso notável e imediato, sendo que em 1801 já cerca de 100.000 pessoas haviam sido vacinadas pelo seu método3.

Importante dizer também que apenas a partir do início do século XX é que se passa a admitir no meio médico-científico a realização de pesquisas com o objeto direto da atividade clínica em medicina. Foi quando começou a se consolidar a ideia de que qualquer ato médico só vem a ser válido se passa obriga- toriamente por uma confirmação científica prévia. Começa aí o que vem a se chamar de medicina base- ada em evidencias4,5. Por esse critério, para a comunidade cientifica atual nada pode ser considerado método diagnóstico ou terapêutico, se o procedimento não provou sua condição como tal e, portanto, nada que não seja fruto da investigação clínica pode passar para a prática clínica.

De forma complementar, é necessário dizer que a própria medicina baseada em evidencias valeu-se de experiencias terríveis em prisioneiros de guerra, destacando aqui o desenvolvimento das sulfa para a prevenção e o tratamento de infecções em feridas testados no campo de concentração nazista de Ra- vensbruck, onde os prisioneiros sofreram ferimentos provocados e, em seguida, contaminados com ter- ra, cepas de estreptococo e vidro moído6; em Dachau, médicos da força aérea alemã e da Instituição Experimental Alemã da Aviação realizaram experimentos sobre reações à alta altitude, usando câmaras de baixa pressurização, para determinar a altitude máxima da qual as equipes de aeronaves danificadas poderiam saltar de pára-quedas em segurança, matando muitos prisioneiros por embolia gasosa7; tam- bém em Dachau cientistas alemães realizaram experiências de congelamento, utilizando os prisioneiros como cobaias para descobrir um método eficaz de tratamento para a hipotermia, onde muitos morre- ram de arritmias reportadas nos documentos8. Tais experiências criminosas nazistas julgadas pelo tribu- nal de Nuremberg tem aplicabilidade clinica hoje, mas não foram apenas os alemães sob o regime nazis- ta que cometeram atrocidades, inúmeras nações abusaram de experimentos antiéticos, seja com prisio- neiros ou não, até mesmo nos Estados Unidos da América houveram experimentos antiéticos como nos estudos não tratados de sífilis em Tuskegee9.

Mais recentemente, nos deparamos com desvios éticos terríveis que são ignorados por envolver seres humanos que não se expressam, não falam e também não assinam termos de consentimento livre e es- clarecido: embriões humanos. O uso de embriões humanos é amplamente conhecido hoje, clinicamente para a realização de inseminação artificial e também laboratorialmente com a terapia genética; quanto ao fato de certas vacinas serem cultivadas em células derivadas de fetos abortados levanta vá- rias questões éticas sobre a cumplicidade material com um ato imoral do aborto. Isso deve ser avalia- do, não apenas para dar respostas aos cientistas sobre como conduzir pesquisas nessa área, mas também aos próprios pacientes, que podem se deparar com o dilema de ter que escolher entre sua saúde (ou a de seus filhos) e sua integridade moral e espiritual.

As células fetais mais utilizadas são WI-38 e MRC-5. As células WI-38 foram derivadas por Leonard Hayflick em 1962 do pulmão de um feto feminino de 3 meses10. As iniciais WI referem-se ao Instituto Wistar, um órgão da Universidade da Pensilvânia, Filadélfia, e o número 38 ao feto do qual as células fo- ram obtidas. As células MRC-5 foram obtidas em 1966 dos pulmões de um feto masculino de 14 sema- nas11. As iniciais MRC indicam Medical Research Council, um órgão de Londres. Dentre muitas outras células derivadas de fetos abortados cirurgicamente, encontramos: WI-1, WI-3, WI-11, WI-16, WI-18, WI-19, WI-23, WI-24, WI-25, WI-26, WI-27, WI-44, MRC-9, IMR-90 e R-17 (obtido do pulmão); WI-2, WI-12 e WI-20, (pele e músculo); WI-5 (músculo); WI-8 e WI-14 e WS1 (pele); WI-4, WI-9, WI-10, WI-13 e WI-15 (rim); WI-6, WI-21 e WI-22 (coração); WI-7 (timo e tireóide), WI-17 (fígado); FHs74Int (intestino delgado); e PER.C6 (retina)12.

Se existe a necessidade de testes em células tronco para o desenvolvimento de vacinas é importante fri- sar que existem alternativas eticamente aceitáveis e bem-sucedidas13 tais como as células-tronco adultas pluripotentes, com o uso de tecidos da placenta, cordões umbilicais e líquido amniótico, sem uso direto de tecido fetal abortado.

Explicando brevemente o funcionamento das vacinas, é preciso entender que as frentes do sistema imunológico para combater as infecções. Quando germes, como o vírus que causa o COVID-19, inva- dem nossos corpos, eles atacam e se multiplicam. Nosso sistema imunológico usa várias ferramentas para combater infecções. O sangue contém glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio para tecidos e órgãos, e células brancas ou imunológicas, que combatem a infecção. Diferentes tipos de glóbulos brancos combatem a infecção de diferentes maneiras14:

1. Macrófagos são glóbulos brancos que engolem e digerem germes e células mortas ou moribundas. Os macrófagos deixam para trás partes dos germes invasores chamados antígenos. O corpo identifica antí- genos como perigosos e estimula anticorpos para atacá-los.
2. Os linfócitos B são glóbulos brancos defensivos. Eles produzem anticorpos que atacam as partes do vírus deixadas para trás pelos macrófagos.

3. Os linfócitos T são outro tipo de glóbulo branco defensivo. Eles atacam células do corpo que já foram infectadas.

A primeira vez que uma pessoa é infectada pelo vírus que causa o COVID-19, pode levar vários dias ou semanas para o corpo fabricar e usar todas as ferramentas de combate a germes necessárias para superar a infecção. Após a infecção, o sistema imunológico da pessoa lembra o que aprendeu sobre como prote- ger o corpo contra essa doença. O corpo mantém alguns linfócitos T, chamados células da memória, que entram em ação rapidamente se o corpo encontrar o mesmo vírus novamente. Quando os antígenos fa- miliares são detectados, os linfócitos B produzem anticorpos para atacá-los. Os especialistas ainda estão aprendendo quanto tempo essas células de memória protegem uma pessoa contra o vírus que causa o COVID-1915.

Quanto as vacinas, temos uma nova plataforma que foge ao modelo clássico “vírus morto” / “vírus ate- nuado”, dando espaço para modalidades que carregam proteínas da superfície viral, também denomina- das espículas, consideradas epítopos, ou seja, antígenos capazes de gerar resposta imunológica; também podem carregar parte do genoma viral que será traduzido no ribossomo para gerar tais espículas (epíto- pos); para entender tal processo, detalhamos melhor aqui sobre as características e o funcionamento da infecção do coronavirus em nível celular e em seguida as estratégias vacinais novas.

Os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus de RNA de fita simples com uma aparência de coroa devido à presença de glicoproteínas de superfície (espículas) no envelope que circunda o genoma viral. Esses vírus podem atravessar barreiras de espécies e causar, em humanos, doenças que variam do resfriado comum a doenças respiratórias mais graves, como Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV). O SARS-CoV-2 aparece como um novo vírus pertencente à família dos coronavírus causando uma nova doença identificada pela primeira vez em Wuhan, China, no final de 2019, chamada COVID-19.

O primeiro passo da infecção viral por SARS-CoV-2 envolve a ligação da glicoproteína de superfície do coronavírus ao receptor de entrada da enzima de conversão da angiotensina-2 (ACE2) na célula hospe- deira.Umavezdentrodacélulahospedeira,asequênciamRNAdogenomaSARS-CoV-2codificarávári- as proteínas, incluindo as próprias glicoproteínas espiculares de superfície. Por esse mecanismo há a produção de mais partículas virais para infectar outras células hospedeiras.

Quatro estratégias principais estão sendo usadas para desenvolver uma vacina contra uma ameaça de doença recém-reconhecida. Várias empresas de biotecnologia, organizações acadêmicas e empresas farmacêuticas estão empregando essas diferentes tecnologias numa verdadeira corrida para levar seu candidato a vacina a ensaios clínicos, suscitando criticas quanto a periculosidade dos efeitos adversos das vacinas pela velocidade acelerada que tais pesquisas estão sendo realizadas.

Seguindo o modelo clássico de vacinas temos a confecção de vacinas com vírus atenuados ou inativados; esse tipo de vacina é produzido cultivando grandes quantidades de todo o virion em um ambiente labo- ratorial controlado. Todo o vírus SARS-CoV-2 é “morto” (inativado) ou “atenuado” (enfraquecido) ou é sintetizado uma versão recodificada do vírus menos virulenta. Essa técnica requer que as células produ- zam grandes quantidades da vacina viral. Linhas celulares humanas cultivadas a partir de fetos abortados (ou alternativas éticas) são usados. Depois que a vacina é injetada é reconhecida como estranha pelo sis- tema imunológico e uma resposta imune é gerada.16 Os laboratórios envolvidos nessas vacinas são: Sino- vac/Butantan, Sinopharm e Codagenix.17

A vacina a base de proteínas consiste na sintetização de proteínas, como as espículas de superfície, por meio de técnicas genéticas recombinantes em laboratório com uso de plasmídeos e uma linhagem celu- lar hospedeira in vitro. O plasmídeo contém as informações necessárias no DNA para produzir as pro- teínas virais. Após a produção dessas proteínas a granel, elas são coletadas e purificadas, combinadas com adjuvantes para melhorar a resposta imune e depois embaladas como vacina. As vacinas à base de proteínas não são infecciosas.16 Existem vacinas humanas licenciadas existentes usando esta plataforma. São seus desenvolvedores: Novavax, Sanofi/GSK.17

O modelo vacinal de vetor viral que é baseado num sistema vetorial de vírus geneticamente modificado (ex: adenovírus, sarampo, etc) que carrega o material genético de SARS-CoV-2 que codifica proteínas virais. Linhas celulares humanas cultivadas são usados como “fábricas” para produzir grandes quantida-

des de vírus vetores manipulados. Alternativamente, linhas de células animais também podem ser usadas (células de macaco, células de hamster, células de insetos, etc.). Uma vez injetada, a vacina entra na célu- la hospedeira e seu material genético é transcrito em mRNA usando máquinas vetoriais virais (replican- te) ou máquinas da célula hospedeira (não replicante). O mRNA é então traduzido pelo maquinário da célulahospedeiraparaaproteínaespiculardeSARS-CoV-2,queéliberadadacélula.Aimunidadeveto- rial preexistente pode afetar negativamente a eficácia da vacina, dependendo do vetor escolhido (infec- ção anterior por adenovírus).18 As vacinas virais baseadas em vetores não são infecciosas e necessitam de controle de temperatura. Em triagem clínica pela Universidade de Oxford/AstraZeneca, Jannsen (John- son&Johnson), Cansino e Gamaleya.17

As vacinas genéticas de mRNA, carregam o código para a síntese de glicoproteína de superfície da SARS-CoV-2.EssasvacinaspodemserconstruçõesdemRNAnãoreplicantesouconstruçõesdemRNA auto-amplificantes, capazes de direcionar a amplificação de mRNA intracelular. O mRNA é sintetizado quimicamente ou enzimaticamente em laboratório, sem o uso de células. Nanopartículas lipídicas en- capsulam as construções de mRNA para protegê-las da degradação e promover a captação celular. As vacinas de mRNA não são infecciosas. Essa tecnologia é nova e atualmente não existem vacinas huma- nas licenciadas usando esta plataforma, mas estudos mostram que elas podem obter imunidade contra gripe, zika, raiva e coronavírus.19 As principais empresas envolvidas nessas vacinas são a Pfizer/BioNTe- ch, Moderna e Imperial College London.17 As vacinas que contêm um pedaço de DNA com um gene viral em vez de mRNA funcionam de maneira semelhante. Entre outros, a empresa Inovio, o Genexine Consortium e o Open Corona Consortium, liderados pelo Swedish Karolinska Institute e com a parti- cipação da Universidade de Gießen, estão trabalhando nisso. Até o momento, no entanto, nenhuma va- cina Covid 19 baseada em DNA progrediu além da Fase I.17

Temos portanto a engenharia genética presente fortemente na linha de produção dessas novas vacinas que somente agora começam a ser usadas em massa, porém é fundamental compreender também as etapas de desenvolvimento de uma vacina, pois existe por boa parte da comunidade cientifica críticas a maneira extremamente acelerada que essas vacinas estão sendo conduzidas. Tudo começa com a síntese do antígeno em laboratório. Nos deteremos mais nessa etapa um pouco mais a frente no texto, apon- tando as peculiaridades dos antígenos presentes nas vacinas contra o novo coronavírus. Primeiro, a va- cina é testada em animais e, caso os resultados mostrem segurança e sejam promissores, são feitos testes em seres humanos, geralmente em três etapas20,21:

Fase 1: A vacina é administrada em um pequeno grupo de pessoas, testando diferentes concentrações e comparando indivíduos expostos ao composto ou a solução placebo, a finalidade principal é avaliar a segurança da vacina. Se tudo correr bem, ou seja, se os benefícios são grandes e os riscos muito pequeno passa-se para fase seguinte;

Fase 2: Nesta etapa aumenta-se o número de participantes, sendo o estudo realizado de forma rando- mizada. Outros grupos de pessoas são incluídos, entre eles idosos e crianças;
Fase 3: Esta fase testa a eficácia e a segurança de milhares (ou dezenas de milhares) de pessoas. O nú- mero substancialmente maior de participantes nesta fase ajuda os pesquisadores a aprender sobre os possíveis efeitos colaterais raros da vacina e a avaliar com maior poder estatístico se a vacina está funci- onando, através da comparação entre o número de indivíduos expostos vacinados que apresentaram a doença (caso existam) e o número de indivíduos expostos vacinados que não apresentaram a doença.

Após todas as etapas e com resultados que comprovem a segurança e a eficácia da mesma, ela então será direcionada para aprovação pelo órgão regulamentador de cada país. Vale lembrar que não existe órgão global que regulamenta e autoriza o uso de uma vacina em todos os países. Outro elemento é que alguns estudos podem realizar fases combinadas. O que é isso? Desenvolver ao mesmo tempo etapas 1-2 e/ou 2- 3 como estão fazendo a Universidade de Oxford, Sinovac, Novavax, BioNTech/Pfizer e outras na pes- quisa de desenvolvimento da vacina contra COVID-1921,17.

Com tais informações passamos as respostas diretas.

1. As vacinas ofertadas hoje são eticamente aceitáveis?
Como podemos perceber a maioria das vacinas usam células tronco embrionárias para seu desenvolvi- mento, sendo inaceitáveis do ponto de vista ético, pois tais células foram retiradas de seres humanos abortados. Quanto a inviolabilidade do genoma humano com uso dessas vacinas, é questionável o uso de novos modelos de vacinas pois existe sim a possibilidade de genotoxicidade22, fato omitido e/ou negado pela mídia mainstream.

2. Podemos tomar estas vacinas enquanto católicos?
A Congregação para a Doutrina da Fé reprova a pesquisa e o desenvolvimento de vacinas com células tronco embrionárias, deixando o peso da responsabilidade moral para aqueles envolvidos diretamente com a produção dessas vacinas e não condenando quem as use por falta de opções, deixando livre para a consciência de cada indivíduo aceitar ou não tais vacinas, no entanto é valido frisar que quem decidir tomar tais vacinas não deve defende-las e/ou promove-las.1 Tal perspectiva é construída pelo princípio do mal menor da teologia moral, tendo por analogia o uso hoje de sulfas como antibióticos, ainda que tenham sido desenvolvidas de forma imoral em campo de concentração, assim como outros conheci- mentos médicos aplicáveis clinicamente que foram descobertos no mesmo contexto.

3. Estas vacinas são confiáveis?
Existem inúmeros resultados que agora vem surgindo para confirmar a efetividade no desenvolvimento de memória imunológica por meio da dosagem de Imuno Globulina G (IGG), o que varia bastante de uma pesquisa para outra. No entanto é importante destacar que os efeitos adversos tardios, observados em estudos de vacinas23, foram negligenciados e a Organização Mundial de Saúde reportou como desne- cessário estudos de genotoxicidade e carcinogenicidade, o que é no mínimo preocupante.24
Também é uma incógnita se as respostas imunológicas adquiridas serão efetivas e duradouras em função da mutabilidade viral.25

4.Existe manipulação genética com essas novas vacinas?
A terapia genética, técnica também polemica do ponto de vista bioético pode ser feita de duas manei- ras, pela técnica CRISPI onde uma célula é retirada do paciente e reintroduzida depois de ter seu ge- noma recodificado, ou pela técnica de vetores virais que carregam um código genético a ser incorporado pelo genoma da célula alvo. Obviamente nenhum desenvolvedor de vacina admite a intenção de realizar manipulação genética, mas como podemos perceber a base das novas vacinas que usam vetores virais é a mesma para a realização de uma modalidade de terapia genética, o que permite suspeitas de interesses escusos por parte de algum desenvolvedor para a quebra de alguma soberania nacional por bioterroris- mo.

5. É licito o Estado obrigar a vacinação?
Existem dois tipos de obrigatoriedade que pode surgir do Estado, uma obrigatoriedade ativa por meio de uma convocação compulsiva, cabendo o uso da violência estatal, ou uma obrigatoriedade passiva com o uso dos órgãos de estado e até mesmo de empresas privadas para limitar as liberdades de quem se re- cusa a tomar a vacina. As vacinas convencionais clássicas de certo tem uma obrigatoriedade passiva, mas jamais esta obrigatoriedade foi questionada pela confiança depositadas nas vacinas até então. Com as fases de testes notoriamente aceleradas, é grande a desconfiança. Vale ressaltar que pessoas com teste sorológico IGG positivo por conta de uma contaminação natural, não tem a necessidade de se vacinar. O documento da Congregação para a Doutrina da Fé deixa claro que o católico não é obrigado a se va- cinar, mas se assim o decidir, deve garantir que não infectará terceiros através de profilaxia.1

Considerações Finais

Boa parte das notícias hoje se fazem para justificar as vacinas para o SARS-CoV-2 como salvadoras da humanidade, ofuscando o manejo clínico precoce de paciente sintomáticos (tosse, febre, dispnéia, etc.). É bem documentado hoje a fisiopatologia da doença, desde a invasão celular pelos receptores da angio- tensina, elevados em pacientes com uso de anti-hipertensivos convencionais, até o reconhecimento de

suas fases com resposta inflamatória e, principalmente, com fenômenos tromboembólicos. Seria portan- to necessário um outro documento da AMCSP explicando melhor a base do tratamento que vem sendo utilizado hoje, com destaque para os anticoagulantes e os anti-inflamatórios hormonais cujos estudos demonstram ótimos resultados.

Fica a suspeita pela existência de um lobby enorme para a industria farmacêutica, financiadora de maior destaque hoje da Organização Mundial da Saúde (OMS) e depositadora de enormes recursos na mídia com publicidade. Tanto a OMS quanto os veículos convencionais de comunicação promovem as vacinas como se estas fossem urgentes e confiáveis, ignorando o fato que o tratamento precoce de pacientes infectados é promissor.

Neste contexto que beira a falácia não formal de “teoria da conspiração”, vale saber quem hoje são os acionistas importantes da industria farmacêutica, destacando a Fundação Bill & Melinda Gates que fi- nanciam fortemente a OMS e ofertam serviços em inteligência artificial para a descoberta de novas me- dicações pela empresa Schrodinger. Bill Gates fala abertamente sobre controle populacional com uso de progestágenos e dispositivos intrauterinos, tema de enorme peso e que também merece destaque por nós bioeticistas personalistas.

Vacinas são muito bem vindas, defendemos que elas existam para o bem da saúde da humanidade, en- tretanto vacinas apresentam riscos cujas consequências não são completamente conhecidas quando es- tudos acelerados ocorrem, o que justifica a Pfizer tentar se livrar da responsabilidade sobre efeitos ad- versos futuros na sua contratualidade com os governos na distribuição de vacinas para S ARS-CoV-2.

Para alem da insegurança que temos com as atuais vacinas, repudiamos veementemente o desenvolvi- mento de vacinas com células de seres humanos abortados, não importando quando e como foram abor- tados.

Peço desculpas pela linguagem por vezes técnica, mas este documento se destina a Arquidiocese e se necessário for a comunidade médica também.

Harold Barretto Presidente da AMCSP


Referências

1. Congregation for the Doctrine of the Faith, Note on the morality of using some anti-Covid-19 vacci- nes. Instruction Dignitas Personae, 21 Dez 2008, Liturgical Memorial os Saint Peter Canisius.

2. HENDERSON, D. A.; MOSS B. Smallpox and vaccinia. In: PLOTKIN SA, MORTIMER EA Jr, edi- tors. Vaccines. 3. ed. Filadélfia: W B Saunders, 1999. p.74-97.

3. AMATO Neto, V.; BALDY, J. L. S.; SILVA, L. J. Imunizações. 3a ed. São Paulo: Sarvier; 1991.

4. SACKETT, D. L. et al. Evidence-Based Medicine: What It Is And What It Isn’t. BMJ; v. 312, p.71-72, 1996.

5. Evidence-Based Medicine Working Group. Evidence-based medicine: a new approach to teaching the practice medicine. JAMA; v. 268, 2420-2425, 1992.

6. U.S. Holocaust Memorial Museum. Trials of War Criminals before the Nuremberg Military Tribunals under Control Council Law No. 10. Nuremberg, October 1946 – April 1949. Washington D.C.: U.S. G.P.O,
1949-1953.

7. WEINDLING, P. J. Nazi Medicine and the Nuremberg Trials: From Medical War Crimes to Infor- med Consent. Palgrave Macmillan, 2005.

8. ROBERT, L.; BERGER, M. D. Nazi Science — The Dachau Hypothermia Experiments. N Engl J Med, n. 322, p. 1435-1440, 1990.

9. CALDWELL, J. G. et al. Aortic regurgitation in the Tuskegee study of untreated syphilis. J Chronic Dis; v. 26, n. 3, p. 187–94, 1973.

10. WI-38 (ATCC® CCL-75TM). Disponível em: https://www.lgcstandards-atcc.org/Products/All/ CCL-75.aspx#characteristics. Acesso em 26 Dez 2020.

11. MRC-5 (ATCC® CCL-171TM). Disponível em: https://www.lgcstandards-atcc.org/Products/All/ CCL-171.aspx#characteristics. Acesso em 26 Dez 2020.

12. REDONDO, Calderón JL. Vacunas, biotecnología y su relación con el aborto provocado.Cuad Bioet; v. 19, n 66, p.321-53, 2008.

13. CHARLOTTE LOZIER INSTITUTE. Charlotte Lozier Institute Responds to Claim that Aborted Baby Parts Are Needed to Develop COVID-19 Treatment. Arlington, 19 Mar. 2020. Disponível em: bit.ly/37je4OQ. Acesso em: 25 Dez 2020.

14. PAUL, W.E. Fundamental Immunology, 5. ed., Nova York, Lippincott Williams & Wilkins, 2003.

15. Understanding How COVID-19 Vaccines Work. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/ 2019-ncov/vaccines/different-vaccines/how-they-work.html? CDC_AA_refVal=https%3A%2F%2Fwww.cdc.gov%2Fcoronavirus%2F2019-ncov%2Fvaccines%2Fa- bout-vaccines%2Fhow-they-work.html. Acesso em 25 Dez 2020.

16. KUMAR, A., MELDGAARD, T. S., BERTHOLET, S. Novel platforms for the development of a universal influenza vaccine. Front. Immunol, v. 9, p. 1–14, 2018.

17. Draft Landscape of COVID 19 Candidate Vaccines. DIsponível em: https://www.who.int/publicati- ons/m/item/draft-landscape-of-covid-19-candidate-vaccines. Acesso em 25 Dez 2020.

18. ROLLIER, C. S. et al. Viral vectors as vaccine platforms: deployment in sight. Curr. Opin. Immunol; v. 23, p. 377–382, 2011.

19. RODRÍGUEZ-GASCÓN, A., DEL-POZO-RODRIGUÉZ A., SOLINÍS M.A. Development of nucleic acid vaccines: use of self-amplifying RNA in lipid nanoparticles. Int. J. Nanomed, v.9, p. 1833– 1843, 2014.

20. SCHMIDT, C. Genetic Engineering Could Make a COVID-19 Vaccine in Months Rather Than Ye- ars. Scientific American, 01 Jun 2020. Disponível em: https://www.scientificamerican.com/article/gene- tic-engineering-could-make-a-covid-19-vaccine-in-months-rather-than-years1/. Acesso em 25 Dez 2020.

21. ZIMMER, C.; CORUM, J.; WEE, S. L. Coronavirus Vaccine Tracker. NYTimes, 2020. Disponível em: https://www.nytimes.com/interactive/2020/science/coronavirus-vaccine-tracker.html. Acesso em 26 Dez 2020.

22. CIMOLAI, N. Do RNA vaccines obviate the need for genotoxicity studies? Mutagenesis, geaa028, 1–2, 2020.

23. Evaluating the safety and efficacy of vaccination – Compilation of Scientific Abstracts, Social Servi- ces Legislation Amendment. 2015. Disponível em: https://www.aph.gov.au. Acesso em 26 Dez 2020.

24. World Health Organization guidelines on the nonclinical evaluation of vaccine adjuvants and adju- vanted vaccines. p. 34, 2013. Disponível em: https://www.who.int/biologicals/areas/vaccines/ADJU- VANTS_Post_ECBS_edited_clean_Guidelines_NCE_Adjuvant_Final_17122013_WEB.pdf?ua=1. Acesso em 26 Dez 2020.

25. STRATOV I, De Rose R, Pucell DF, Kent SJ 2004 Vaccines and vaccine strategies against HIV. Curr Drug Targets 5: 71-88

Categories: Notícias

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6 Comentários

  1. Avatar

    Esclarecedor o texto. Há muita desinformação a respeito desse importante e atual tema. Todo católico precisa saber dessas informações, pois estará diante do dilema de tomar ou não tais vacinas. Muito obrigado pelos esclarecimentos. Salve Maria!

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    Não concordo com as conclusões. Há uma imensa batalha pela vida e a associação deveria se pronunciar a favor da vacinação que tem dado efeitos não só na Covid-19 , como em outras doenças infecciosas que usam a mesma técnica. Vocês não têm autoridade para falar em nome da Igreja Católica e não deveriam trazer polêmicas sem fundamento para confundir os fiéis. Acredito que Dom Odilo não pensa assim , que em suma é o responsável pastoral da Igreja em São Paulo. Esta artigo é apenas uma opinião, que não deveria trazer na sua íntegra conclusões acerca de qual o posicionamento da Congregação da Doutrina da Fé sobre o assunto. Incluíram na bibliografia estudos Nazistas, como se os cientistas atuais praticassem o mesmo tipo de estudos. Francamente, está associação deveria ser dissolvida , em nome da ciência e da Igreja.
    Atenciosamente

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    Os senhores deveriam estar presos por noticiar Fake News. A que ponto chega a extrema direita, meu Deus, Satanás é pai da mentira, sujar a fé católica com tamanha falta de verdade é o cúmulo.

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    Gostaria que me explicassem qual o ponto de vista ético de vocês: Eva não desrespeitou Adão; o dilúvio não sacrificou inocentes; Deus não matou pessoas em Sodoma e Gomorra; e a própria crucificação de Cristo não foi uma afronta aos de bem? Para o feto não há uma razão lógica em salvar vidas, mesmo que ainda não veio para a Terra?

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    Uma (13) das referencias bibliográficas e já contem justamente o contrario que o texto que o “médico” escreveu, que não se utiliza partes de fetos abortados em pesquisas. Outras informações vem de sites americanos pro Trump para informar sobre pesquisas médicas com fetos abortados e não de instituições acadêmicas ou pelo menos séria. Um dos sites ainda informa que o ataque ao Capitólio foi feito pela esquerda juntamente com a mídia, fora do contexto do texto feito pelo “médico”, mas mostra o nível do site.
    13. CHARLOTTE LOZIER INSTITUTE. Charlotte Lozier Institute Responds to Claim that Aborted Baby Parts Are Needed to Develop COVID-19 Treatment. Arlington, 19 Mar. 2020. Disponível em: bit.ly/37je4OQ. Acesso em: 25 Dez 2020.

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    Fico feliz em saber que existe uma associação nesses moldes, que nós esclarece sobre assuntos que somos totalmente leigos. A Igreja está precisando de pessoas de coragem e fé, como vocês que estão para nos ajudar a decidir a nossa forma de viver a partir daquilo que nos é muito caro, nesse caso a fé. Sofreram perseguições por falar verdades, mas não se intimidem. Os católicos precisam de vocês.

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