A AUTORIDADE DE JESUS E A SUA DELEGAÇÃO À IGREJA APÓS A ASCENSÃO AO CÉU

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Os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim, alguns duvidaram. Então, Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.


Pouco antes de ascender ao céu, Jesus reuniu seus discípulos na Galiléia, como, ao pé do túmulo do qual ressuscitara, o anjo anunciara à Maria Madalena e suas companheiras, e logo depois o próprio Jesus informou a Pedro e João. 

A Ascensão de Jesus ao céu foi relatada pelos evangelistas Marcos (Mc 16,15-20) e Lucas (Lc 24,50-53), e também consta dos Atos dos Apóstolos (At 1,1.6-11). Apesar de ter sido testemunha ocular, Mateus não a menciona, pois fica apenas na fala de Jesus, na qual coincide com os demais.

Mateus também registra que ainda havia dúvida no espírito de alguns, inobstante todos terem se prostrado diante de Jesus para ouvi-lo: e ele se aproximou e lhes passou duas mensagens relevantes.

Primeiramente, Jesus marcou indelevelmente a infinita autoridade que tinha: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra”. Note-se que ele afirmou sua autoridade dentro do céu, mas também sobre a terra!

Por ter essa autoridade suprema e incontrastável, encarregou-lhes de irem pelo mundo inteiro, fazendo discípulos dele todos os povos. Quer dizer, Jesus delegou sua autoridade aos discípulos, não uma autoridade autocrática a ser exercida em benefício próprio, porque nem Jesus quis ser rei deste mundo, mas, sim, uma autoridade que nenhum tirano possui, que é a de batizar os povos em nome do Pai, dele próprio o Filho, e do Espírito Santo. De fato, somente Jesus poderia ter dado essa autoridade à sua Igreja, porque somente ele a possuía como integrante da Trindade Divina.

Ademais, junto com a autoridade para batizar, Jesus mandou que fossem mundo afora, para ensinar a todos tudo o que ele lhes havia ensinado. Isto é, autorizou-os a falarem em seu nome.

Não se pense que o verbo “ordenar” – “ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei” – tenha a conotação de emprego de autoridade com poder de mando, o que seria contrário à própria natureza humana conferida por Deus aos homens, que inclui a inteligência para discernir o bem do mal, assim como a liberdade de escolha do caminho de cada um entre essas duas alternativas. A ordem de Jesus foi para os discípulos saírem pelo mundo transmitindo a este o que ele lhes ensinara, ou seja, a prática do amor, a qual não pode ser imposta coercitivamente, pois depende de nascer dentro de cada pessoa para se projetar fora dela, mas pode ser incentivada a se manifestar e ensinada como pode ser concretizada e que frutos pode produzir.

Antes disso, Jesus já lhes havia dito que a Igreja fundada sobre Pedro seria indestrutível pelas forças do mal, e já assegurara a Pedro que o que a Igreja ligasse ou desligasse na terra também seria ligado ou desligado no céu (Mt 16,13-19). Assim, a derradeira delegação, para o batismo em nome da Santíssima Trindade e a evangelização do mundo, veio dentro daquele poder extraordinário, porque inexistente em qualquer outra instituição humana, seja império ou nação, nenhuma das quais pode conquistá-lo por qualquer modo, nem com o emprego da força, nem por meio da inteligência humana e dos avanços científicos.

Por fim, Jesus acalmou os indecisos e os que ainda duvidavam, que podem ter ficado ainda mais assustados com a ordem que receberam, e inseguros quanto à sua capacidade de cumpri-la. Para eles e para todos os discípulos Jesus arrematou: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.

É que Jesus lhes assegurou que o Espírito Santo iria recordar-lhes todos os seus ensinamentos, assim como já dissera que, quando dois ou mais se reunirem em seu nome, ele estará no meio deles. Além de que ele sempre estará com todos através da eucaristia!

Portanto, aqueles primeiros discípulos puderam lançar-se na importante missão que receberam, e que levaram a cabo como todos sabemos, alguns até com o sacrifício das suas vidas. E os benefícios decorrentes da presença de Deus no meio deles expande-se a todos os discípulos que ao longo dos séculos têm se juntado aos primeiros através do batismo conferido pela Igreja em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Batismo este que nos integra na comunidade dos discípulos de Jesus, e também nos estende o dever de evangelizar os que nos cercam, cada um de nós na medida em que puder, mas sempre sabendo estar na companhia do Espírito Santo de Deus.

Por Dr. Ricardo Mariz de Oliveira

Categories: Evangelho Semanal

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