A ÚLTIMA CEIA DE JESUS COM SEUS APÓSTOLOS – MATEUS 26,14-28

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Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, procurou os sacerdotes-chefes. E lhes propôs: “Quanto me quereis pagar para eu o entregar a vós?” Eles lhe garantiram dar trinta moedas de prata. E desde aquele momento, ele procurava uma boa ocasião para o entregar. No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos foram dizer a Jesus: “Onde queres que te preparemos o necessário para comer a Páscoa?” Ele respondeu: “Ide à cidade, à casa de fulano de tal, e dizei-lhe: O mestre manda avisar: O meu tempo está próximo. Quero celebrar em tua casa a ceia pascal com os meus discípulos”. Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha ordenado, e prepararam a ceia pascal. Chegada a tarde, ele se pôs à mesa em companhia dos Doze. Enquanto comiam, disse: “Eu vos declaro esta verdade: um de vós me trairá”. Profundamente entristecidos, cada um começou a perguntar: “Senhor, por acaso serei eu?” Ele respondeu: “Quem me há de trair é o que acabou de colocar a mão comigo no prato. O Filho do homem vai embora como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele pelo qual o Filho do homem está sendo traído! Melhor seria para ele não ter nascido!” Por sua vez, Judas, que o traiu, perguntou-lhe: “Mestre, serei eu por acaso?” Respondeu Jesus: “Tu mesmo acabas de dizer”. Ora, durante a ceia, Jesus tomou o pão e, tendo dito a fórmula da benção, partiu-o e o distribuiu aos seus discípulos dizendo: “Tomai, comei. Isto é o meu corpo”. Em seguida, tomando o cálice, deu graças e o entregou, dizendo: “Bebei todos dele, porque este é o meu sangue, o sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos para a remissão dos pecados.” 


O acontecimento narrado pelo evangelista Mateus começa com um paradoxo absolutamente inacreditável e termina com o extraordinário milagre da eucaristia.

O paradoxo é a traição de Judas Iscariotes, que era um dos doze apóstolos escolhidos por Jesus, mas trocou por dinheiro a graça recebida! Essa traição, que nos custa aceitar e entender, mostra como qualquer homem está sujeito a cair em tentação, mesmo que esteja em situação na qual aparentemente esteja seguro.

Não por outra razão Jesus insistiu inúmeras vezes para que todos vigiem a vida toda, assim evitando acontecer de chegar ao seu fim em estado de pecado e sem o devido arrependimento.

Sabemos que Judas se arrependeu, devolveu as moedas recebidas e quis desfazer o seu trato com os perseguidores de Jesus, mas tudo inutilmente, pois não conseguiu impedir a consequência do seu ato de denúncia do local onde poderiam prender seu Mestre longe das vistas do povo. Também sabemos que se desesperou a ponto de se enforcar, ao invés de ter a humildade e a coragem de procurar Jesus e pedir-lhe o perdão que o salvaria. O que não podemos saber é se, a despeito de tudo o que fez de errado, a misericórdia divina ouviu um pedido silencioso para que fosse perdoado.

Após o choque da descoberta de que um deles havia traído Jesus, os demais apóstolos continuaram a ceia pascal provavelmente sob terrível tristeza e incredulidade, e foi nesse ambiente que viram Jesus instituir a eucaristia.

No passado, eles já haviam ouvido Jesus dizer que era o pão vivo descido do céu, e que quem comesse da sua carne e bebesse do seu sangue teria a vida eterna (Jo 6,41-51; Jo 6,53). Viram que muitos se escandalizaram com essas palavras e até seguidores o abandonaram, e também ouviram Pedro dizer que os doze continuariam com ele, porque não teriam para onde ir, pois criam que ele era o Santo de Deus e tinha palavras de vida eterna (Jo 6,60-69).

Agora, entretanto, ante a solenidade com que Jesus instituiu a eucaristia, puderam compreender plenamente o significado do que tinham ouvido no passado, ou seja, que seu querido Mestre iria deixar este mundo após terminar sua missão salvífica, mas deixaria para eles e para a posteridade o seu corpo e o seu sangue transubstanciados nas espécies do pão e do vinho, algo somente possível ao próprio Deus, e destinado a que trocassem o sacrifício de animais indefesos pelo culto da oferta voluntária do próprio corpo com que seu Filho viveu neste mundo.

De fato, “durante a ceia, Jesus tomou o pão e, tendo dito a fórmula da benção, partiu-o e o distribuiu aos seus discípulos dizendo: ‘Tomai, comei. Isto é o meu corpo’. Em seguida, tomando o cálice, deu graças e o entregou, dizendo: ‘Bebei todos dele, porque este é o meu sangue, o sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos para a remissão dos pecados’”.

Pouco tempo depois, Jesus cumpriu sua promessa: podia ter-se evadido durante a noite, mas foi para o local que o traidor conhecia e sabia que estaria lá, onde permaneceu até ser preso! Em outras palavras, entregou seu corpo para que seu sangue fosse derramado, e o fez porque foi o modo mais perfeito de obter a remissão dos pecados de todos!

Muitos chegam a considerar ridícula a fé cristã na eucaristia, ainda que não possam negar a valentia e o destemor de Jesus em realizar o que sabia ser o melhor que qualquer homem poderia fazer em oferenda a Deus! Por isso, Jesus quis perpetuar a sua oferenda do seu próprio corpo e do seu próprio sangue instituindo a eucaristia, com a qual todos os dias desde então repete-se incessantemente o milagre do seu corpo estar no pão da hóstia e seu sangue no vinho do cálice, e repete-se, como ele convidou, a possibilidade de que outras pessoas não presentes àquela ceia também comam a sua carne e bebam o seu sangue. 

Os convidados para aquela ceia estiveram atentos às palavras de Jesus – “… este é o meu corpo… este é o meu sangue…” –, e perceberam que Jesus não fez o pão ázimo e o vinho serem simples representações do seu corpo e do seu sangue para fins meramente rituais. O que eles perceberam claramente, e creram firmemente, foi que Jesus estava praticando o milagre de deixar no pão o seu verdadeiro corpo e no vinho o seu verdadeiro sangue, e foi isto que transmitiram aos primeiros cristãos e a todos os seus seguidores no futuro.

Graças vos damos Senhor, no seu santíssimo e digníssimo sacramento.

Por Dr. Ricardo Mariz de Oliveira

Categories: Evangelho Semanal

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