O BATISMO DE JESUS E O DE TODOS NÓS – MATEUS 3,13-17

Aparece então Jesus, vindo da Galileia para o Rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. Mas João protestou, dizendo: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e és tu que vens a mim?” Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!”. E João concordou. Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como uma pomba e vindo sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual me comprazo todo”.

O trecho acima, do Evangelho segundo São Mateus, é brevíssimo, mas contém em resumo tudo o que os demais evangelistas escreveram mais longamente a respeito do batismo de Jesus. Compare-se com Marcos (Mc 1,7-11), Lucas (Lc 3,15-22) e João (Jo 1,26-34). 

Quem batizou Jesus foi seu primo João, que recebeu a alcunha de Batista em virtude da intensa atividade que exercia batizando levas e levas de judeus que se aproximavam dele nas margens do Rio Jordão.

O batismo de João tinha outro sentido, diferente do batismo que Jesus viria a instituir futuramente, mas que o próprio João anunciou que iria ocorrer. Aquele batismo era um ato de conversão, a qual não era necessária para Jesus, que, contudo, quis recebê-lo como exemplo a todos.

Depois de Jesus, o batismo que ele nos deixou é o sacramento pelo qual seu Espírito Santo desce ao batizado e passa a habitar nele para toda a vida, introduzindo-o na comunidade cristã. Costuma-se batizar os recém-nascidos, ou crianças ainda em tenra idade, as quais, por não poderem aderir voluntariamente ao ato, e por sequer terem capacidade para entender o que ocorre à sua volta, vão ratificá-lo posteriormente ao longo da sua vida e formalmente com o sacramento da confirmação.

Mas no batismo de Jesus encontramos os traços essenciais do batismo cristão, pois Jesus tinha maturidade suficiente para querer ser batizado, e não precisaria deixar os anos correr para afirmar a sua vontade. Ademais, assim que saiu das águas do rio, o Espírito Santo se fez visível numa pomba, do mesmo modo que Ele nos vem em nossos batismos, ainda que sem presença física.

Pode-se compreender o sinal da abertura do céu e de que a pomba representava o Espírito de Deus porque, simultaneamente, sua voz se fez ouvir: “Este é o meu Filho amado, no qual me comprazo todo”!

Assim, Jesus, que não precisava confirmar coisa alguma, foi confirmado por Deus Pai, que não declarou simplesmente que assistira ao batismo e estava satisfeito com o acontecimento, mas afirmou que Jesus era seu Filho amado, ratificando previamente tudo o que futuramente Jesus diria a seu respeito, para crença dos que passaram a segui-lo.

É triste quando se sabe que em nossos dias muitas pessoas levam suas crianças à pia batismal por mero hábito, ou até por precaução supersticiosa, mas sem a consciência de todo o significado mais profundo do sacramento. Ou vermos padrinhos, cuja função é de orientar seus afilhados quanto ao sacramento que receberam inconscientemente, abrindo-lhes a consciência para seu significado e sua importância, omitirem-se a este respeito, quando muito se lembrando da sua condição através de presentes de aniversário ou de natal.

Que o gesto de Jesus, ao querer ser batizado a despeito de que João sentia-se indigno de atendê-lo – “Eu é que preciso ser batizado por ti, e és tu que vens a mim?” –, inspire todos os que adiram ao sacramento, fazendo-os cônscios da sua importância para a vida inteira.

Afinal, a resposta de Jesus ao protesto de João – “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” – nos revela que algo de novo poderia vir, mas também que sempre devemos perseguir a justiça, que no linguajar bíblico significa fazer a vontade de Deus.

Por Dr. Ricardo Mariz de Oliveira

Categories: Evangelho Semanal

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