Pronunciamento do Dr. Luiz Gonzaga Bertelli, presidente da União dos Juristas Católicos de São Paulo – UJUCASP.

Na missa solene de entrega do Prêmio Santo Ivo, na Igreja de Santo Ivo, em São Paulo, no dia 17 de maio de 2019.

No dia 17 de outubro do ano 1253, nas proximidades de Treguier, na baixa Bretanha, Oeste da França, nascia Santo Ivo, no castelo da família. Por pouco teria nascido na Inglaterra. Recebeu no batismo o nome de, Yves Hélory de Kermartin. O seu pai era o Lorde Hélory de Kermartin e Azo Du Kenquis.

Pertencia à família da pequena nobreza francesa Recebeu desde a infância educação esmerada e cristã.

Ao terminar os seus estudos básicos e primários, é enviado pelos seus pais à Universidade de Paris. Naquela Escola Superior Francesa, recebe as primeiras lições de teologia, ocasião que teve como mestre São Tomás de Aquino, cuja obra teve enorme influência na formação de Santo Ivo. 

Conviveu com São Boaventura e com ele impregnou-se do espírito Franciscano. Em 1277 passa a residir em Orleans, norte da França, vindo a especializar-se nas disciplinas do direito civil e do direito canônico, voltando mais tarde para a Bretanha. 

Atuou, intensamente, como conselheiro jurídico e magistrado eclesiástico, em 1280, na Arquidiocese de Rennes, capital do Ducado da Bretanha, por quatro anos. Depois, retorna para Treguier, comuna francesa na região administrativa da Bretanha, no Oeste da França. Em 2010, a localidade tinha em torno de 3 mil habitantes bretões. 

Trabalhava intensamente como juiz, examinando todo tipo de litígio, que lhe era submetido, contratos, heranças, matrimônios, com exceção dos processos criminais, custeando as despesas dos processos.

Ordenado sacerdote, a pedido do seu Bispo, continua a trabalhar como advogado e juiz. À época era permissível o exercício de múltiplas atividades para o religioso, como juiz, advogado e mestre escolar. 

Em virtude da sua obstinada e intransigente defesa dos mais pobres e menos favorecidos foi-lhe outorgado o título de advogado dos pobres, vindo a construir, inclusive, um hospital para os mais necessitados. 

Santo Ivo passava as noites em permanente oração, quando alimentava-se, tão somente de água e pão. Não raro saia à procura dos mais carentes para orientá-los e contribuir com o seu dinheiro para a caridade.

Santo Ivo de Kermartin veio a falecer aos 50 anos de causas naturais, no dia 19 de maio de 1303, há 716 anos, portanto. Os seus restos mortais encontram-se sepultados na Catedral de Treguier, onde é objeto de intensa devoção dos fiéis. 

No ano de 1347, a pedido de bispos, fiéis e autoridades civis, após o processo de investigação, conduzido pelo Papa Clemente VI, é proclamado Santo da Igreja Católica. Em Roma foi construída a Igreja de Sant’Ivo Allá Sapienza, em sua memória. 

Santo Ivo legou-nos exemplos dignificantes de cuidados especiais para com os estudantes pobres, enfermos, viúvas, perseguidos e desprezados e a sua luta pela vida dos não nascidos, proclamando que os verdadeiros cristãos devem ser anunciadores do Evangelho, sinal de esperança para toda a humanidade. 

Santo Ivo é considerado o patrono dos cultores do Direito. Muitos são os milagres atribuídos a ele. Sua vida foi marcada por diversos fatos extraordinários ligados a curas e revelações. 

Uma das suas grandes frases era: “Jura-me que sua causa é justa e eu a defenderei, gratuitamente”. 

Nesta Santa missa a União dos Juristas Católicos de São Paulo, com o decisivo apoio das entidades dos advogados paulistas: OAB-SP – Ordem dos Advogados do Brasil, AASP – Associação dos Advogados de São Paulo e IASP – Instituto dos Advogados de São Paulo, far-se-á a entrega da láurea Santo Ivo ao eminente desembargador e mestre, Ricardo Henry Marques Dip. 

Trata-se da 5ª edição do prêmio. Na sua 1ª edição, no ano de 2015, a escolha recaiu no ex-ministro da Justiça Dr. José Gregori. 

No ano seguinte, em 2016, o escolhido foi o desembargador, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, José Renato Nalini. 

Na sua 3ª edição, a premiação foi conferida ao desembargador Newton de Lucca. 

Em 2018, o premiado foi o professor doutor Ives Gandra da Silva Martins, presidente emérito da UJUCASP.

Hoje, o troféu representativo da premiação será entregue ao ilustre desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e presidente da União Internacional dos juristas Católicos, com sede em Roma, Ricardo Henry Marques Dip.

A fim de saudá-lo pela concessão do Prêmio, convidamos o professor doutor Ives Gandra da Silva Martins.

Deus seja louvado. Santo Ivo rogai por nós.

(S.Paulo, Igreja de S.Ivo, 17-5-2019)