Entrega do Prêmio Santo Ivo – 2015

Um Prêmio. Um Compromisso. Jose Gregori


Um grande sentimento toma conta de mim e se desdobra em várias emoções nesta noite.

A primeira porque me entregam um prêmio pela primeira vez, num ato pioneiro que vai, certamente, se prolongar por muitos e muitos anos com outras entregas. Mas a primeira sempre abre um caminho novo. 

A segunda emoção é saber que por traz da entrega deste prêmio, está uma figura que me ligam a laços de afeto brotados no raiar da vida adulta nas arcadas da Faculdade do Largo São Francisco e que a vida repassou de crescente respeito e admiração: Ives Gandra Martins. É hoje uma figura com imensa autoridade profissional que o torna um Doutor em Direito de expressão nacional. É também um padrão ético e um exemplo de cidadão que transcende os limites da advocacia. É um paradigma para várias gerações. É ouvido e estimado pelos jovens e respeitado pelos mais velhos. Isso decorre da sabedoria de quem soube lidar com os valores impetuosos da primavera e a maturidade do outono.  Tudo com o vigor do verão.

A terceira emoção é a evocação a Santo Ivo que significa enaltecer os valores perenes que não se modificam pelo correr dos anos e dos tempos. Santo Ivo cultivou a verdade, buscou a justiça e confiou em Deus. Ter sido um competente operador de direito não o fez esquecer da bondade que beneficia os sofredores e necessitados. Basta lembrar sua atitude de transformar sua casa em hospital para os sofredores.

Mostrou assim que o direito não é apenas uma ciência ou uma técnica, mas um instrumento de superação dos conflitos, mas que deve, também engrandecer a condição humana na busca da conciliação e da paz.

Nesse sentido, modestamente, na grande navegação da minha vida pessoal, apontei o meu sextante, indicador de rumos, no horizonte, largo, justo e generoso, dos Direitos Humanos. Fazer justiça, na lição de Santo Ivo, não é fazer apenas o prevalecimento do justo e equânime, mas procurar reparar as causas da injustiça e lutar pela sua correção, sejam individuais ou sociais. Receber um prêmio nesse recinto e das mãos que recebi e na presença do ex-reitor da USP, professor Grandino Rodas que colaborou, em Brasília, para que a Lei dos Desaparecidos fosse instrumento de reconciliação nacional e Lafayette Pozzoli da alta direção da PUC que foi meu aluno é não só um prêmio, mas um compromisso. 

Compromisso de não esquecer a lição e o exemplo de Santo Ivo. Com o coração ferido pela impreenchível perda de minha companheira de seis décadas digo a todos amigas e amigos e as minhas três filhas, razão de minha vida, também aqui presentes: sei que não mereço o prêmio mas farei tudo ao meu alcance para honrar o compromisso contido nos valores dos Direitos Humanos que Santo Ivo defendeu e que são os alicerces de uma sociedade justa, igualitária e humana. 

Muito obrigado.

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