LUCAS 12,13-21
O FIM DA VIDA TERRENA, E O COMEÇO DA VIDA ETERNA
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontrar! Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”.
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Não foi essa a única vez em que Jesus chamou atenção dos seus seguidores para a necessidade de manterem vigilância quanto ao momento em que cada um terá terminada a sua vida neste mundo, momento que ninguém sabe quando será, mas que certamente virá, e no qual cada homem e cada mulher terá que prestar contas dos seus atos e omissões a Deus, ou seja, o momento no qual teremos que estar em condições de ser recebidos pelo Criador na sua casa, para a qual estamos destinados a morar por toda a eternidade, mas que assim somente será para aqueles que nesse dia forem julgados justos.
Daí Jesus, em mais esta oportunidade, fazer comparação com a chegada do patrão no meio da noite ou mesmo na madrugada, momento no qual seus empregados devem estar prontos para recebê-lo e servi-lo naquilo que ele precisar. Daí também a comparação com a hora em que o ladrão chegar para assaltar a casa, para o qual o dono da casa deve estar preparado para defendê-la e defender-se.
O cerne das duas comparações reside no inesperado e na ignorância quanto a esse momento, tal como se dá com o momento da morte, e por isso Jesus prega a vigilância permanente, ao contrário do descuido com a possibilidade de o acontecimento chegar quando menos se espera. No exemplo do empregado parece haver a imposição de um encargo desumano de ele ficar esperando o patrão por horas a fio, madrugada adentro, mas o foco não reside nisso, e sim no estado em que se deverá estar na última hora, na qual “imediatamente” ocorrerá o encontro com Deus, depois de dias e dias de vida.
Diz-se que é um bem precioso para a vida o não se saber quando ela terminará, pois, se cada um soubesse a sua data final, passaria a vida atormentado em contagem regressiva. Pode ser, mas alguns têm a felicidade de, já velhos, prepararem-se melhor para a próxima vida, e até mesmo receber o sacramento final.
Outros, entretanto, são ceifados deste mundo ainda na juventude ou longe da velhice, e não chegam a experimentar a vivência de que a morte pode estar mais próxima deles. É mais para eles o aviso de Jesus, embora muitos idosos também se sintam longe da morte, ou porque ainda tenham saúde boa, ou porque não se vejam como velhos e mais próximos do morrer: para estes, o aviso também é essencial.
Todavia, o aviso é geral, pois, velho ou moço, saudável ou doente, a vida se estende dia a dia, como o empregado que fica esperando o patrão hora após hora, até um momento final impossível de ser determinado, e cada instante que transcorre, do tempo que ainda falta para se viver neste mundo, é um instante a menos para o preparo de cada um no sentido de poder se encontrar dignamente com Deus.
Jesus, chamando atenção para o inesperado do momento da morte, jamais quis apavorar os seres humanos, que ele veio para conduzir ao bom caminho da salvação, mas não poderia deixar de lançar este tipo de advertência, pois conhecia perfeitamente a natureza humana, com a sua propensão para valorizar esta vida, privilegiar as coisas desta vida, viver intensamente as coisas desta vida, e pouco ou nada se preocupar com a outra vida, que na verdade é a melhor vida, a vida principal, pois é a vida eterna em contradição com o passageiro de tudo deste mundo.
Por isso, os avisos lançados por ele foram sinais da verdade e da realidade, para que ninguém se ludibrie ou fique na atitude de deixar para cuidar disso no futuro, apenas pensando que o presente é para ser vivido da melhor forma que a vida permitir. Acontece que ninguém sabe quando o presente estará terminado e não haverá mais futuro!
Assim, a preocupação de Jesus sempre foi de que todos estejam preparados a cada instante da sua vida, a qual deve ser vivida com intensidade e felicidade, pois ela representa um dom de Deus aos homens, mas que seja vivida com a consciência do seu significado e dos seus limites, e que a vida futura seja ganha nesta vida através do caminho de Jesus, que é o caminho do constante amor ao próximo e a Deus Pai. Que não se esqueça do que ele disse ao apóstolo Tomé: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).
Para os que assim se preocuparem com a sua própria vida, Jesus revela o que está quase escondido na parábola: “Felizes os servidores que o patrão encontrar acordados, quando chegar. Eu vos declaro que ele prenderá sua roupa na cintura, os colocará à mesa e ele mesmo passará entre eles para servi-los”.
De fato, em Finados lembramos dos nossos entes queridos que já passaram para o outro mundo, e rezamos para que tenham sido vigilantes e que agora possam estar recebendo as graças eternas de Deus, como o patrão que coloca à mesa seus servos que o esperaram alertas, e ele mesmo se põe a servi-los!
Por Dr Ricardo Mariz de Oliveira
Categories: Evangelho Semanal


